segunda-feira, 14 de julho de 2014

História de um sofá

Compramos um sofá novo. Ele é de couro. Escolhemos esse pra aguentar qualquer sujeira que venha por aí. Até hoje nos gabamos de nossa escolha. Nos achamos o máximo por isso. Não foi hoje. Foi quando nos mudamos. Ainda me lembro de como carregamos, nós dois, nosso sofá de couro pela garagem. Lembro até do vizinho que segurou o meu lado do sofá, achou que eu não aguentaria. Ele estava certo.

Ficamos ansiosos pela casa nova por semanas, foi difícil concretizar nossa mudança em carrinho de compra e braços fortes. Evitamos caixas. Evitamos poeira e acumular coisas desnecessárias. Guardamos lá atrás. Em uma caixa que pode ser aberta e examinada, sem medo, porque parte da nossa história, faz.

Pensamos por dias na dinâmica da decoração. E aonde o tal sofá ficaria. Ficamos bons nisso. Gastamos um bocado pra completar cada cantinho da nossa nova casa nova. Até no cantinho entre o sofá e a estante. Colocamos uma luminária, bonita como as do quarto. As luminárias da sala, trouxemos da casa antiga. Aquela que dormimos por dois dias sem luz, assim que você se mudou.

Nosso sofá, fica na sala, como de costume e agora tem um tapete entre o móvel da TV e ele. É nele que por vezes, eu ocupo os dois lugares pra mais perto de você ficar. É nele que você cochila para testar minha gentileza (quando você acorda sem meia e sem cinto e com a TV desligada). Ele já participa do nosso álbum de memórias fotográficas.

É no nosso sofá que jantamos a comida fria (que você deixa esfriar), assistimos nosso seriado preferido e eu me aproveito entre abraços e tentativas de te apertar. Sentamos nele todos os dias e ele nada nos cobra, sábio sofá. Se até nós, por vezes, reclamamos como seus braços nos pegam a coluna, nosso pobre sofá. E ele ali, em silêncio, fiel ao nosso amor, testemunha de nosso sorriso, sem nada manifestar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário