quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Amor, viver... sobre viver...


O amor... Ah, o amor... Irônico mais que a ironia, mais saudoso que a nostalgia e mais complicado que formula de pi, elevada a décima potência, dividido por 3/4 de coisa nenhuma.

Todo mundo diz que logo vem, logo passa, se não foi, não era, se já foi, já era... Mentira descabida como ela só... O amor não é rosa, é um tom púrpura, meio berinjela, com um toque meio avelã. Ele é opaco, sem tom definido, ou forma regular. É a hipotenusa do que você procura, de um ângulo reto tortuoso da sua vida.

O amor é capitalista, é comunista, atende somente aos próprios anseios, somente aos próprios interesses. O amor é injusto e justo seria se não fosse amor.

O amor é desequilibrado, mascarado de facilidades... Sem qualquer exceção à regra, é o "pagar a língua" que todo mundo vive, é engolir a seco o que sempre bateu no peito e disse que não faria, é jogar na própria cara todos os conselhos dados. É calar, é falar com vontade de gritar.

O amor é tudo o que você, um dia disse não, é nunca um sim, é nunca fácil. É a dificuldade gostosa de ter.

O amor não é permissionário, não dá opção, ele é a única opção, não é recompensa, não vem por merecimento... É o próprio advento...

É o melhor pior e o pior melhor que se pode querer não querer, é confuso, é certo, é bom, é ruim, é a medida sem fórmula de um princípio de física,baseado na química. Sempre.

É querer distância do que se quer perto, é querer perto o que se mantém longe, é ser e não estar, é estar e não ter.

Amor é beijo, é abraço, é toque, é olhar... É fazer tudo e nada, ao mesmo tempo, sem conjugação correta, com disconcordância verbal, sem pronome, sem sujeito ou predicado, revelando o sujeito oculto da frase da sua vida.

O amor é toda crise existencial, da própria existência, da existência do outro... é dizer não, pensando em dizer sim e negar pra não magoar. É magoar a si mesmo em benefício do outro, é pensar no outro, é querer o outro e mandá-lo ir embora.

Amor é irônico, é piadista, é petulante, é redundante feito causalidade circular... É aceitação, é negação... É insuficiente...

Amor não é idealista, só se apaixona pelo oposto, enquanto a pessoa ideal está ali ao lado, se quer aquele (a) que não conseguirá se separar. Amor é grudendo, é pegajoso, cola que nem super bonder, mais do que durepox. Amor é querer o tempo todo algo que se tem, é querer a certeza da dúvida, de quem não sabe de nada. Amor é querer a segurança do seguro, ficar junto até morrer de velho. Amor é coisa de velho, se ama quando se vive como velho. E isso é bom.

Amar é beijar pra não dar tchau, é abraçar pra enrolar, é conviver pra não se despedir, entrar pra não sair...

Amor é desacordo, é desatino, disparate, exclusividade de dividir a vida. Amor é tudo e nada, é sempre e nunca, é oposto do que se espera, é não saber o que fazer, não saber como lidar, não saber se é certo e ter certeza do errado.

Amor é medo sem motivo, é não se ter um motivo pra não se amar, é procurar defeito no que é perfeito, é achar que não se tem direito... É ver o invisível, sentir o insensível, acreditar no impossível.

Amor não é nada disso, é o indefinível, o inclassificável, o inexplicável.

Amor é a dúvida de querer a certeza, é fazer pacto de sangue com ketchup, é cuspir no dedo e selar o pra sempre,  é falar em "nhe-nhe-nhe", é fazer voz de bobo, é agir feito bobo, é ver sentido no que a razão desaprova.

Amar é desigual por definição, é querer seu próprio benefício, é buscar o favoritismo e a predileção, é a espera incansável, é o sentir inabalável de algo desconhecido...

Amar é mimar e achar graça, é brigar pra adular, é irritar pra abraçar... é dormir pra acordar...

Amar é lembrar, é não esquecer, é colocar a música no modo repeat só porque se acha que ela tem algum sentido, alguma semelhança com o vivido.

Amar é desamar, é odiar e depois amar de novo, é desistir, é ir e vir, é chegar, respirar...

Viver..

Sobre... viver...


Nenhum comentário:

Postar um comentário