“Eis aqui alguém que te ama muito, disse Ele”... Imediatamente, os olhos Dela se encheram de lágrimas, não era tristeza, mas uma felicidade tamanha, que estava transbordando pelo olhar. O mesmo olhar que sorri simultaneamente à boca, agora estava úmido... As palavras Dele, que pareciam brilhar quando ditas fizeram-na a mais feliz das mulheres, a mais alegre, a mais bonita... E, não surpreendentemente, o amor era recíproco, era doce, verdadeiro e singelo. Era delicado, molhado, “lambrequento” e “pitizento”. “Se isso não é amor, não sei mais o que é”, outra vez, Ele disse... E isso soou feito uma sinfonia nos ouvidos Dela, que passou alguns instantes, minutos talvez, mas eternos... pensando em como seria tudo, ou nada, ou qualquer coisa ao lado Dele... Em meio a tantos devaneios, uma certeza Ela teve, seria perfeito, seria lindo, seria na pior das hipóteses, incrível...
Ele a fez sentir-se amada... Ela, doce, delicada, mesmo estabanada, aceitou aquele amor do jeito que viera, simples assim, sem cobranças, sem mudanças, sem vinganças, sem lembranças... Eram Ela e Ele e só, por inteiro, num sonho verdadeiro... E nenhuma palavra dita foi pensada, planejada, menos ainda esperada, mas seu mérito, seu valor, seu amor, não foram diminuídos pela surpresa, pela leveza ou pela tristeza.
Ela poderá dizer aos netos (que gostaria de ter com Ele), que teve, na flor da juventude, um grande amor, verdadeiro, nunca superficial, nunca normal, sempre natural, às vezes visceral (de um jeito mais do que delicado), como não poderia deixar de ser...
Este amor deixaria saudades, marcas, bobagens faladas, escritas. Mas seria lembrado sempre que o coração apertasse, o cotovelo doesse e a boca chamasse. E não esqueceriam jamais...
Ele, logo Ele que duvidou de alma gêmea, agora se sente a metade de uma laranja, Ela, por outro lado, se sente o próprio bagaço com toda esta distância. Sempre... E sempre, simplesmente, sempre, e Eles sabiam, o pior é que Eles sabiam que seria perfeito.
Ele fez promessas ao longo da vida, como todo adulto, tentando crescer, ainda... Ela não precisava de promessas, Ela o teve, por inteiro, todo, seu melhor, seu pior, tudo ao mesmo tempo, em tão pouco tempo... Eles se amaram, se amam, se amarão, num tempo presente, conjugando o passado, desejando o futuro, e Eles se entregaram à tudo de mais bonito, mais divino, mais ínfimo, mais delicado, mais elaborado, mais simplificado...
No limbo do sonho eterno dos dois, a lágrima caiu, o olhou brilhou... E o que restaram foram as músicas, o cheiro, o gosto, as lembranças, a esperança de não se saber o que esperar, não saber o que querer, não saber como deixar e não querer conseguir esquecer... O amor... E mesmo que dias, meses e anos passem o que ficou deste amor, nem o tempo levará, nem a distância apagará e nenhum dos dois esquecerá... É, foi, será... Amor!
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