Eu, aqui, pensando em me abrir, olhando os marrecos na água, encolhidos, quase como num casulo deles mesmos, emitindo aquele som (que não sei como se chama, mas parece um grito), com a voz esganiçada típica da espécie, senti inveja deles. Eles estavam ali, sem qualquer preocupação além de o que comer, ou se entram ou não na água pra aliviar o calor. Queria entrar na água, queria soltar aqueles gritos (a voz esganiçada eu já tenho), queria me enrolar no meu próprio corpo, quase como quem abraça a si mesmo na falta de alguém.
Os marrecos continuaram com os tais gritos e eu queria fazer o mesmo, sem me preocupar com quem escutaria, com o que escrevo agora, se minha letra (normalmente caprichosa) está sequer, legível, sem me preocupar com o banco sujo em que estou sentada ou se irei ficar com as marcas das alças da blusa por estar sentada ao sol.
Marcas? Isso é o que menos tem me preocupado ultimamente, estou cheia delas. A primeira é decorrente de uma travessia mal sucedida em uma vidraça, gerou um corte sobre a sobrancelha esquerda, não nascem mais pelos neste lugar. É uma falha quase imperceptível no alto da minha sobrancelha, que eu mesma faço. a segunda, aos nove anos, foi numa descida de patins, bati o queixo na grade da escola. Ainda lembro bem como e quanto chorei quando minha mãe chegou. Só chorei quando a vi.
O sol está torrando meus ombros, irei para a sombra. Minha letra, agora, virou um verdadeiro "garrancho". Não me importo, de novo. Me levantei para mudar de lugar, o papel em que me sentei para não sujar minha calça voou. Precisei correr para alcançá-lo antes que caísse na água. Foi bom correr. Quisera eu pular na água. Meu celular tocou. Fiquei feliz. Fiquei triste. E feliz de novo. E só.
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