Eu ainda detesto cebola e adoro chocolate. Ainda gosto de astrologia, mesmo que não acredite em nenhuma daquelas previsões. Ainda odeio brigas, gritos, mais ainda, confusões. Tenho três tatuagens, mas uma tem tido um peso maior sobre minha vida. Tenho me revelado mais, deixei de ser aquela menina tímida. Eu não gosto de usar meias. Ainda sofro pra tirar sangue, ainda não acham minhas veias. Odeio comer sozinha, sou assim, desde pequenininha. Ainda sinto muita falta de não poder mais dormir após o almoço. Eu ainda espero o mundo cair, pra só depois sair. Ainda, eu não tenho muitos medos. Gosto de viver a vida com uma leveza, característica minha. Eu amo meus pais. Eu amo meus irmãos, cada um, com seu jeito, um jeito diferente. Eu tenho uma ótima memória, principalmente para números. Ainda sei várias placas de carro de cor. Eu nunca quis mudar o presente ou inventar um futuro.Ainda, se eu pudesse, faria do passado, ausente.
Hora sim, hora não. Ainda, eu como muito, eu durmo muito, eu vivo muito. Eu ainda penso muito antes de falar. E ainda quebro a cara. Meu relógio ainda para. Eu ainda sonho quando durmo. Como quando eu era criança e tinha sempre o mesmo sonho. De que voava na escadaria do prédio da minha madrinha. Até hoje me lembro a sensação gostosa que sentia. A de voar. Ainda adoro o mar, mas não tenho mais medo da espuma como tinha em Saquarema. Ainda tenho problemas. Ainda não sofro pro antecipação. Aprendi a dizer não. Minha boca é sincronizada com meu olhar, ainda não sei disfarçar. Eu gosto de ser livre, mas adoro a ideia de estar presa a alguém. Eu não odeio ninguém, talvez alguém me odeie. Mas, sinceramente, não me importa quem. Eu ainda adoro chocolate, eu detesto jiló. Eu gosto de chuchu, eu não como quiabo
Adoro aspargo, prefiro não comer nabo. Eu ainda tenho gastrite, ainda tenho rinite e umas crises de frescurite. Ainda me falta o ar. Eu ainda sou mais baixa que minha mãe. Eu ainda tenho os cabelos lisos e no mesmo tom castanho, sem muita uniformidade, desde meus 4 anos. Eles ainda são poucos. Ainda lembro das minhas coleções de miniaturas, de papel de carta, de cadernos, de diários. De coisas que escrevi, pra alguém, pra mim. Eu ainda escrevo, escrevo falando de alguém. Escrevo falando de ninguém. Escrevo mentiras, verdades, lembranças, vaidades. Ainda duvido de amor à primeira vista. Ainda acredito em amor eterno. Ainda preciso explicar a origem do meu nome. Por vezes, quase criei um codinome. Ainda me divirto com isso. Ainda tenho amigos desde a infância. Ainda, eu gostaria de ser criança. Ainda não sei beber sem passar mal. Ainda me acho, um pouco, normal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário