Ela nunca
escrevera nenhuma linha, nenhuma palavra sequer sobre ele, nenhum papel
amassado ou guardanapo dobrado. NADA! Nada do que Ela havia dito falava dele,
ou no mínimo, nada do que Ela pudesse dizer lhe agradaria.
Ele gostaria
de ter tido uma chance... mais uma... Talvez Ela tivesse dado, se ele não
tivesse atropelado... Talvez Ela devesse ter dado uma chance à insistência
dele... Ele tentou, amou, chorou e lutou. Para Ela, isso não bastava. Ele tinha
amor de sobra, talvez o suficiente para os dois, mas agora, isso não mais importava. Ela queria tempo, sustento, alegria, que
fosse, melancolia, sem “mornices”, sem crendices, sem criancices, sem
mesmices...
Ela queria era
sentir frio na barriga, contar para a amiga sobre a noite passada, o beijo na
madrugada, dormir de roupa molhada... Mas, não... não com ele... Não sem dias
previsíveis, beijos sem fusíveis, sem calor, sem amor, nada de abraços
incríveis... nada... nada...
Ele tentou
fazer tudo por Ela, mas o “tudo” pra Ela, era simples, detalhes que ele não
percebeu e sem perceber, tudo morreu...
Talvez ele
nunca saiba que um dia, o texto foi escrito, pela primeira vez, sem
reticências, sem vírgulas, somente com um ponto final. Provavelmente ele nunca
saberá o que fazer para mudar o que fez. E é só isso que importa agora. Não valeram
nem as declarações, nem as ligações e nem as canções. Não foi o suficiente, ele
a tornou descrente, faltou justamente o que ele não fez. O que restou foi o
arrependimento de não ter feito o que deveria, ter feito o que não se sabia,
não ter vivido o que se queria, de tentar e não conseguir, de querer ficar e
conformar-se em ir... Um dia, alguém saberá (o que não implica necessariamente
na conjugação em tempo futuro) o que fazer, como proceder, se fazer entender...
Até que, enfim, Ela vai querer...
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