Posso mentir e dizer que sou santa
Posso dizer que em cada canto
Enxuguei meu pranto, a derradeira dor de ser eu
mesma
Que escutei no seu canto
Canto com som, canto com dom
Canto como quina, lugar que me fascina
Posso mentir e dizer que não
E, depois disso, sozinha, fechar meu coração
Posso admitir meu incômodo
Posso sentir o engodo
O fascínio, o declínio
Posso dizer que está tudo bem
Posso até, arrumar outro alguém
Posso mentir, se perguntar quem
Posso também, fingir que ele me faz bem
Nada demais, só mais uma vez
Esconder, o que não posso dizer
E logo que anoitecer, pensar, esperar, esquecer
Até o próximo amanhecer
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