Eis que a panela achou sua tampa, os chinelos velhos acharam seus pés, a cena encontrou sua trilha sonora... Mas, depois de um tempo, depois de tantas vezes tocando no modo “repeat”, o disco quebrou, o CD furou e a música parou de tocar. E tudo andava muito bem para os dois lados, ou pelo menos para o lado com mais concentração de progesterona, até que... Sempre existe um “até que...”, até que, baixinho, a música continuava tocando, sussurrando, latejando e pelejando. E quando tudo terminou, o ponto final era certo, seguido de exclamações mil, sem nenhuma interrogação, e outra vez “até que...” vieram as reticências...
E no meio disso tudo, o coração - protagonista de todas as boas histórias - e como não poderia ser diferente, desta também, resolveu seguir novos caminhos, fazer novas descobertas, viver novos amores. E como sempre, quando o tal coração está certo ou pensa estar sobre as coisas, algo sempre acontece para abalar toda essa falsa segurança. E tudo resolve acontecer ao mesmo tempo, até que ela não saiba se é melhor “trocar o certo pelo duvidoso”, o que é certo, o que é duvidoso. Ela, que sempre se posiciona sobre tudo, inclusive sobre isto, se desconcerta ao perceber que, quando acha que seu coração tem um novo dono, chega um proprietário antigo reivindicando a “reintegração de posse” de um terreno com paredes erguidas a pau a pique, onde não se sabe de fato, a quantas anda a obra...
Ela então, já não sabia se estava tão certa sobre qual decisão tomar, se o melhor seria ir ou vir? Deixar ou seguir? Ficar ou partir? Ela não saberia dizer o que queria, se queria, se não queria, quando queria e como queria... E a dúvida estaria num limiar tão tênue entre o querer e o de fato fazer, que a confusão se tornaria sua maior companheira. Não se trata, então, de uma competição, ou uma disputa por mérito, mas sim, da certeza incerta de algo tão bom que pode ou não estar por vir, ela realmente não saberia dizer... E pensou, está pensando, tem pensado e só o que lhe vem é “E agora, José?” ... E então, fica a dúvida... “até que...”
Escritos sobre aquelas horas em que se pensa um monte de coisas e não se pensa em nada... Em que se vai às nuvens, sem tirar os pés do chão...
sábado, 31 de março de 2012
Até que...
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