Como na música, tem sido todo dia. Ela acorda primeiro, desliga o despertador, mas só levanta vinte minutos depois. Toma banho, lhe dá um beijo. Ele escolhe a camisa, ela opina. Assim que levanta, um copo de suco. Enquanto ela tenta se deitar outra vez. É quando ela sente o beijo cheirando a laranja. O beijo dela cheiraria a cappuccino. Café da manhã juntos, sempre. A TV ligada. Ele assiste ao noticiário de uma emissora qualquer. Ela retira a mesa, ele lava a louça. Eles disputam o banheiro. Enquanto ele faz a barba, ela pinta os cílios. Borrifam o perfume, mas na roupa dela, o cheiro dele insiste em permanecer. Ali, com quem lhe abraça durante todo o dia. Se falam durante o dia. Sempre. Coisas triviais, querem saber se está tudo bem e dizer que estão pensando um no outro. Querem fazer planos para o jantar e contar besteiras acontecidas ao longo do dia. Chegam a se encontrar. A rotina tem sido generosa com eles. À noite, depois de um jantar feito por ela, ou um sanduíche comprado por ele, voltam aonde o dia começou. À TV. Ainda ligada. Eles riem, conversam, contam sobre o dia. Que se vai. E voltará depois de algumas horas. Ela o abraça, ele cuida de seu sono. Os olhares cruzados dizem tudo que não as palavras não sabem. Ali no silêncio, eles já sabem, está a janela pra continuar. A janela do mundo ao qual pertencem. O dele, ela, o dela, ele. Eles, já prontos para dormir, lembram coisas, riem mais um pouco, fazem brincadeiras e esperam um no outro o novo dia, que é sempre início depois do fim do anterior.
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