Eles não se conhecem, mas sabem cada detalhe da vida um do outro, coisas que nunca disseram a ninguém, coisas que nunca sentiram também, Eles sabem.
Ela sabe de todos os medos, obsessões e compulsões, mas não o conhece. Ele sabe das paúras, das gravuras e escrituras, mas não a conhece.
Ela sabe do ciúmes, dos "não-me-toques", Ele sabe dos retoques, mas não se conhecem. Ele sabe como irritar, só pra depois adular e fazê-la sorrir... Com os lábios, com os olhos... Sabe que nada é motivo suficiente pra deixá-la com raiva e que, muitas vezes, é só um charminho Dela pra ser mimada, após o balançar compulsivo das pernas, ou o bico que faz quando emburra.
Ela sabe como agradar, como alegrar... Sabem gargalhar de uma besteira qualquer, haja o que houver, venha o que vier, mas não se conhecem.
Ela sabe dos sonhos, dos pesadelos... sabe de tanto que nem poderia dizer tudo, não em qualquer canto. Eles sabem do amor, do pavor, do ardor, do rancor... Ela sabe da segurança, da esperança, da lembrança do lembrar de tudo que se deve esquecer depois de pensar. Ela sabe das músicas preferidas e até das detestadas...
Ela sabe dos acessos, dos pregressos, dos progressos e dos regressos que partiram por um caminho sem volta, para não repetir a nota, da música que tocava atras da porta que se fechou.
Eles sabem que sabem do que sabem, coisas que nem pensaram... Sabem de tudo, coisas que nem contaram... talvez um saiba mais do outro, do que o reflexo no espelho, mas não se conhecem. Dois desconhecidos, recolhidos, melindrados, afagados pelo abraço do braço da vida... Se conhecerão um dia?
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