quinta-feira, 14 de junho de 2012

Varanda


Sentado à beira do sol, Ele permaneceu, olhando o horizonte que era possível se ver dali, da varanda, onde não havia barulhos, incômodos, ruídos, nada... nada que pudesse abalar a serenidade daqueles olhos castanhos. De longe, Ele pôde observar, viu os cabelos Dela brilhando sob a luz do sol quase se pondo, sua pele branca, ainda, com certo vestígio de sol, reluzia, como de um vampiro que aparece durante o dia. 
Da distância mantida apenas por questão espacial, Ele observava sua amada, andando ali na beira do lago, com um vestido amarelo, fluido, quase transparecendo o formato de suas pernas, devido a luz que na água refletia. Pela ponte, ao lado dos patos que por ali nadavam, Ela andava chutando a água e olhando pra Ele com um sorriso tímido, de canto de boca, mas sincero como nada, meigo como tudo, risonho feito absurdo. Enquanto Ele admirava a paisagem feito um quadro torto pendurado na parede, daqueles que todos param pra consertar, Ela apenas "era", com toda sua espontaneidade e brilho nos olhos com a simplicidade que o encantava, quem provinha as gargalhadas mais sinceras das piadas mais sem graça que Ele, rotineiramente contava nos momentos mais bobos, mais sem definição, que se pode definir. Sentado ali, pernas cruzadas, chá já frio, ao lado, Ele percebia a cada minuto que a felicidade era aquilo e só... Que a simplicidade de ser simples estava no gesto manifesto do pior do melhor dos dois. Que ali, acolá, adentrando o futuro, Eles poderiam ser tudo, ou nada, se assim quisessem, poderiam sofrer quando ficassem na dúvida de qual sabor de sorvete escolher... Ali, sentados, meio ao pôr do sol, Eles poderiam ver o que já não se via, na cegueira do anoitecer, que se faz ao entardecer. Enfim, a moça de "sorriso sincero" e o moço ditoso, ali, aqui, sem meros esmeros, sinceros, ao entardecer, sonhariam então, com o amanhecer, vendo o que é bom, sentindo o que é bem, sendo um para o outro, alguém.

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