sábado, 30 de junho de 2012

Procura

Ela sonhava, um dia, um grande amor encontrar... Então, foi pela vida, carregando consigo uma mala de sonhos. Procurou, procurou, até que um dia veio alguém que achou ser quem Ela procurava. Pobre e inocente menina, estava enganada, havia batido na porta errada, a porta, já desocupada, nunca esteve aberta realmente. Mesmo com os cuidados e afagos, tudo, traduzido em nada, era suficiente... Catou sua mala, e continuou seu caminho.

Nos caminhos percorridos, de repente, Ela esbarrou com alguém, lhe fez bem, mas pesou, outra vez Ela se enganou. Ela pensou que ali encontraria seu porto seguro, mas era tudo obscuro... Era bom, sim, era, mas era quase como uma corrida com mil participantes, onde Ela nunca alcaçaria a linha de chegada. Ao encontrá-lo, Ela nunca pensou que seria real, que seria possível, Ela estava certa, sem saber, mas estava. Ali, Ela achou as risadas e espontaneidade de uma criança, mas ainda não era o que Ela procurava. Ela queria um adulto, pois já havia crescido, e a infância havia ficado pra trás. Mesmo com o tom da voz, Ela nunca pôde dizer "nós". 

Tentando desencontrar o que havia há pouco encontrado, achou alguém, como ninguém, tão educado. Bons restaurantes, boa comida, boa conversa, mas.... Mas, o mar levou, e ele a deixou... Falta ele fez, mas passou tão rápido, assim como os ventos de Copacabana. 

Seguindo caminhada, com sua mala cada vez mais pesada, Ela foi, sem perceber, voltou no caminho que ja havia andado, achou que esse caminho havia, então, mudado. Mas era somente Ela exercitando sua inocência, outra vez. Enquanto andava, em sua busca incessante pela felicidade, alguém a seguia, por anos, até. Um dia, ao se virar, sem pretensão alguma, Ela esbarrou nele, e então pensou "e se..."... E se... nada, e se Ela não tivesse se virado, coisa melhor teria encontrado. 

Doces ouvidos tinha essa menina, derreteu-se toda com o toque do violão, agora, sem percussão ou companhia, a voz saía solta, só, sem dó, sem nó, só melodia... Risadas, gargalhadas, carinho, frutos, talvez, de uma amizade distanciada pelo tempo, recuperada por um esbarrão em um dia qualquer. Por esse caminho, Ela sabe que deixou herança, a leveza que Ela carrega consigo, até hoje, deixou um pouquinho para aliviar o peso de quem Ela queria bem, longe, mas bem. 

Eis que um dia, sem intenção, Ela encontra alguém para dividir angústias, segredos, risadas, planos e medos. Até que, sem perceber, se deixou estar, ficar, gostar... E amou a ideia de amar alguém, pela primeira vez, e quem sabe, única, pois não se ama demais, não se enganaria jamais. E o humor Ela achou, o carinho também, o cuidado... como ninguém. A intimidade, parece ter vindo na mala, onde estaria guardada desde sempre, como uma peça de roupa, só esperando alguém do tamanho certo pra usar... Todo o carinho, toda a entrega que Ela tinha guardado, Ela poderia mostrar. Agora Ela poderia amar, agora Ela seria amada... Tudo que Ela sonhou em ver, Ela, então, começaria a viver...



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