Escritos sobre aquelas horas em que se pensa um monte de coisas e não se pensa em nada... Em que se vai às nuvens, sem tirar os pés do chão...
sexta-feira, 1 de junho de 2012
A dona experiência
Sentada, à meia luz
A dona, velha, com cabelos brancos de experiência
E as mãos enrugadas de vivência
Olhava pela janela buscando por algo que não vira
Com um aquário ao lado, havia ali um peixinho dourado
Quase que sorrindo pra senhorinha
Como quem diz um oi e dá uma piscadela simpática
Anos passados, peso dobrado
Pés cansados, calejados, dos anos que viveu, andou, amou
Feliz desta senhora, que tudo abarcou
Intercalados aos goles do chá, que nunca gostou durante a mocidade
Hoje, anos passados, mas ainda com muita vaidade
Pensava em tudo que já se foi
Em tudo que ficou
Em como foi feliz, como se entregou
Aos pedidos da vida, como alguém que diz "ok, se é felicidade, eu aceito"
Levantando depois dos tombos e rindo de seus defeitos
Lembrou dos namoros da juventude
E em como ela era sonhadora, romântica
E realizou muitos sonhos, talvez o mais importante
Ao lado de quem ela escolheu compartilhar os louros da vida
Quem ela ama, sabe, vive, sofre, sente
Quem, hoje, está enrugado feito ela
Com as mesmas marcas de expressão adquiridas
Ao longo da vida que não houve, sequer um momento só
Pois todos os momentos, eram, são... um
Os mesmos cabelos que, nela, estavam branco feito a neve
Nele, também, retratavam a felicidade, nunca breve
A idade avançada exerceu seu papel
E sentada, ali, à beira da janela, à meia luz
Aquela senhora, já fraca, já frágil
Sem o vigor e a disposição da juventude
De alguém que ria com os olhos e gargalhava com o coração
Ainda era capaz de lembrar com destreza
Os detalhes do beijo, do abraço e do cansaço que teve
Lembrou de tudo, por horas e até o cheiro do perfume se manteve
De repente, o ambiente escurece, era a tarde se despedindo
Para a aurora da noite chegar
E logo, cansada ela estaria, recolheria o material do tricô
Os chinelos de pompom
E, movimentando o traseiro, agora mais robusto
Sem, há muito, exercitar seu dom
Iria se deitar, ao lado de quem ama
E dali não mais levantar
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