Hoje, ou ontem, ou amanhã, não importa, não gosto muito dessa definição temporal, acho que tempo é uma coisa tão relativa. Ele passa como quer, como decide funcionar, como acha que deve ser, nem todos os minutos têm 60 segundos, muito menos as horas, 60 minutos, os dias, então, nem preciso dizer. Tempo é quase um senhor que deveríamos bater continência quando encontrássemos. Datas só existem por meio de fatos, é preciso de um acontecimento, para que exista um dia no calendário. As datas são como as cicatrizes, ainda hoje, me lembro de quando levei três pontos no queixo, andando de patins e bati no portão, lembro quando minha mãe chegou e eu chorei, lembro da quantidade de sangue que escorria pelo meu uniforme, pareciam litros, achei que teria anemia naquele dia! Lembro também de como adquiri um corte no pé, no meu aniversário, há dois anos, por causa de um copo quebrado... E do dia em que ajudei meu pai a "desescamar " um peixe que ele havia pescado no mercado e a escama voou e se enfiou no meu dedo, deixando uma cicatriz que guardo comigo até hoje.
Deitada em minha cama que ,atualmente, se resume a um colchão inflável, devido à mudança, lembro de dias, dias com fatos, e às vezes, posso sentir tudo acontecendo outras vez, tenho lembranças fieis, dos cheiros, gostos, risos e frisos, e até lágrimas (o que fazem meus olhos umedecerem, quase que instantaneamente), desses dias. Esses dias, vi um rachado na parede, um rachado fictício, que acabei de criar para ter algo para escrever. Pude ver o rachado por cima do meu travesseiro quando estava deitada pensando no que fazer para resolver algumas coisas, coisas muito importantes eu diria... Pra incrementar, poderia dizer algo sobre penumbra e fumaça de cigarro, mas não fumo, então não ficaria fidedigno (descobri que gosto muito dessa palavra e do som que ela faz). Então, direi só que vi uma rachadura na parede, e isso me lembrou de uma vez que uma parte do teto do meu quarto caiu em decorrência de uma infiltração do apartamento de cima, hoje, eu poderia não estar aqui, contando isso, que na verdade, não é nada... Esse post tem se resumido a fazer rodeios sobre o tempo, o "senhor" que nunca para e nunca segue nossas vontades.
Olhei, agora (mais uma mentira), pela janela e um beija-flor, beijando uma flor que não está lá, no mesmo lugar em que eu não estou... Olhar pela janela me traz tantos desejos, tantos anseios, vontade de pensar, pensar com calma e com loucura a lá Virgínia Wolf, com espaço pra qualquer coisa, tudo que eu queira no tempo em que eu quiser. Gosto da ideia de pensar, sem pressa, sem conversa, em qualquer lugar, respirando um ar, que muitas vezes, me falta, e eu passo a hiperventilar, sempre que... sei lá... É bom poder ir e vir, deslizando por ideias absurdas, sem pré-julgamentos de ninguém, porque eu mesma não os faço, me dou este direito. Vou aproveitar o momento de silêncio e pensar no mar, algo que verdadeiramente me da uma paz sem fim, trazer o que eu quiser pra mim, deitar, dormir, acordar e só, e se eu quiser mais, também poderei. E, se eu me levantasse agora, saísse de onde estou, fosse pra onde quero ir, só pra viver, só pra sentir, o que guardo em mim?! Seria possível que o impossível eu alcançaria? Em um mundo em que nada se cria, tudo se copia, isso é só mais uma fantasia, mas quem disse que não se pode viver uma poesia?! Hoje, a verdade é que me agarrei ao tempo como uma desculpa para escrever, sem dizer, sem palavras, sem rimas, sem fonemas, sem problemas...
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